terça-feira, janeiro 30, 2007

Tantos nós no cabelo branco do tempo

O tempo.

Os dias nascem e morrem com a certeza inata da fragilidade das folhas, dos corpos, da lentidão dos sofrimentos e da rapidez da felicidade.

Ao longe um rei desaparecido acena para o pó dos seus súbditos, indiferente a ninguém o reconhecer. Por dentro ninguém está encoberto.

No fim talvez um julgamento. A pergunta mais feroz: que fizeste tu do teu tempo?

Prendeste-te a quê e para quê? Qual o significado dos teus vagos vestígios? Que sentimentos motivam as cobertas que foste vestindo?

O tempo far-nos-á todas estas perguntas. E os nossos olhos confusos e perdidos iniciam a viagem da memória, entre tantos nós de cabelos tão brancos.