quinta-feira, novembro 30, 2006

Naquele tempo

Em tempos caminhei por essas ruas. Em passos pequenos e lentamente afogava-me no canto dos sinos. Perdia-me naquela sensação. Agarrava a tua mão com força. Fugia do teu olhar. Hoje só o consigo imaginar e não me surpreendo que ficasses admirada. As ruas eram fechadas dos lados, com janelas e portas a servirem de enfeite para os olhos. Para os nossos e para os dos outros. Aqueles que espreitavam entre as cortinas. Em tempos apercebi-me de como é mais rico ouvir os sinos do que deambular de cortinado em cortinado à espera de um momento de voyeurismo. Naquele tempo apercebi-me da importância dos sentidos, coisa que não aparentemente não tinha consciência de existirem. Naquele tempo aprendi a ser.