quinta-feira, março 22, 2007

Vejo quem amo

No reflexo da água vejo o futuro.

Vejo todas as refeições que comerei. Todas as más frases. Todas as portas a que tocarei e ficarei à espera, ao frio e ao sol.

Vejo a criança que fui há tão pouco. As brincadeiras que nada mais eram do que um ensaio para as brincadeiras de hoje.

Vejo o infinito, que se estica sempre mais além. Nesse infinito mora sempre uma fada. Dela sei apenas que vive tão longe. Para vê-la seria preciso dar sempre dois passos sob as águas, e mais dois em múltiplos perpétuos.

No reflexo da água vejo quem amo.