Um herói antes de ser homem
Na Travessa da Saudade moram sete cavaleiros. O mais novo é Paio. Como se entenderam, como iniciaram a caminhada da iniciação, deixo a cargo da vossa imaginação.
Hoje contar-vos-ei somente a história de Paio, tão importante que gravada em azulejo, tão banal que esquecida.
Nascera em dias de outono, fruto de um encontro casual entre um qualquer homem e uma qualquer mulher. Criado, desde cedo, junto às pedras da calçada, das galinhas e pedintes, jurara ser importante. Ser rico. E muito amado.
Talvez se esquecera (não o sabia!) que o amor não se conquista por aquela ordem, mas, sem qualquer outro propósito, iniciara as façanhas da sua existência com um salvamento.
Corajoso ou sem consciência, Paio cresceu. Fez-se forte, moreno e triste. Salvava ocasionalmente gatos, lavadeiras, casas de incêndios, gado das cheias.
Fez-se herói, antes de ser homem.
Num dia de mais um salvamento feliz, encostou-se a uma porta e ouviu os risos. Sentiu a presença da felicidade numa família, quem sabe, num grupo de amigos.
Com os olhos presos no chão, jurara, solenemente, buscar o último som das coisas, até alcançar aquilo. Uma travessa, uma casa. E ao fundo, um riso retribuído. Para si, Paio.
Hoje contar-vos-ei somente a história de Paio, tão importante que gravada em azulejo, tão banal que esquecida.
Nascera em dias de outono, fruto de um encontro casual entre um qualquer homem e uma qualquer mulher. Criado, desde cedo, junto às pedras da calçada, das galinhas e pedintes, jurara ser importante. Ser rico. E muito amado.
Talvez se esquecera (não o sabia!) que o amor não se conquista por aquela ordem, mas, sem qualquer outro propósito, iniciara as façanhas da sua existência com um salvamento.
Corajoso ou sem consciência, Paio cresceu. Fez-se forte, moreno e triste. Salvava ocasionalmente gatos, lavadeiras, casas de incêndios, gado das cheias.
Fez-se herói, antes de ser homem.
Num dia de mais um salvamento feliz, encostou-se a uma porta e ouviu os risos. Sentiu a presença da felicidade numa família, quem sabe, num grupo de amigos.
Com os olhos presos no chão, jurara, solenemente, buscar o último som das coisas, até alcançar aquilo. Uma travessa, uma casa. E ao fundo, um riso retribuído. Para si, Paio.

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