sexta-feira, novembro 03, 2006

Espera

Guardei o teu silêncio num frasco de vidro. Segui as tuas pegadas na calçada. Andas depressa. Bem depressa para uma mulher. Deixas no caminho o teu perfume. Paira como nevoeiro. E na minha mente, ainda a imagem do portão a quebrar-se. Fugi sem pensar. E como é bom viver sem pensar. Tira-nos peso. Será que nos tira gordura? Só sinto o efeito: andar mais leve. Com este andar posso correr como nunca antes mas não é depressa mais porque se me enganar num caminho não consigo voltar atrás para escolher o certo. Não é feio errar. Admitir que se erra é sinal de maturidade. Já não chove. O sol brilha. É hora de ir. É hora de escolher outro caminho. Espera por mim, não andes tão depressa...