sexta-feira, novembro 10, 2006

Nada. E tu nada.

Naquele dia não me deste a tua mão. Nem me disseste nada. E eu, engolida na minha curiosidade colhi do tempo uma maçã dourada. E tu, calado. Lembro-me do seu sabor. Sabia ao cheiro das rosas. Depois disso, não tenho qualquer recordação. A minha mente fica escura e depois tenta confundir-me com imagens sem sequência lógica. Fico perdida. Fico perdida naquele beco escuro do Burgau. As borboletas trazem-me o cheiro a mar. Vem embrulhado em papel vegetal. O sal que o cheiro contém solidifica-se nas minhas narinas, parece cimento. Os olhos perdem-se um do outro, ficam sós no vazio. Adormeço. Acordo. Acordo e adormeço. E tu, nem uma palavra. Nem um abraço. Nem uma mão.