sábado, novembro 04, 2006

Trata-me como uma página de um livro

Pedir perdão é pedir sossego, quando nada mais pode ser feito para impedir um erro.

Para Teresa mais valia não chegar a errar. Dizia-o muitas vezes e ria, feliz, pela sua descoberta. Noutros dias soubera apenas frases lânguidas, prontas para serem entendidas como pedaços concretos e corpo e luar. Hoje, fala apenas com cinismo. Pólos diametralmente opostos, encadeados, sinónimos e antónimos, frases-feitas como blasfémias à língua portuguesa.

Teresa quer ser original. Mas só sente insatisfação. As palavras fazem pouca companhia. Tem vontade de gritar «Trata-me como uma página de um livro». Como resposta ouve apenas o silêncio. Entre todo o mar é única rocha solitária. Mas antes a forca que a piedade.