quinta-feira, novembro 23, 2006

O apanhador de peixe

Apanhador de peixe: é o que dizem que sou. Aquele vê a preto e branco: é aquilo que pensam de mim. Quem cala consente. E como, realmente, falo pouco, fico sozinho na minha solidão de três metros e meio. Serve para trabalhar e com o dinheiro que ganho dá para sobreviver. Compro uma saca de batatas, uns quilos de tomate, cebola e alhos. Como peixe. Sai mais barato. De noite, acendo um candeeiro a petróleo que é herança de família. Gosto de guardar essas coisas. Depois viajo com pegadas de olhar e pestanejos intermitentes pelas palavras escritas. Sempre eternas como rótulos que se pregam nas testas das pessoas. Viagens de ida e regresso ou só de ida. É conforme o bilhete que nos calha.