sexta-feira, dezembro 22, 2006

Ouvi dizer

Podias ser um homem temível, mas repousas bem perto de mim. Vives ao lado do mar, tão perto que lhe podes sentir todas as mudanças. Existe um perdão de uma ofensa sem fundamento histórico ao olhar-te, solene, obstruíndo a continuidade das linhas direitas. Em cada recanto de todas as memórias antigas deve existir algo sem sentido, como tu.
Ouvi dizer que eras importante.

quarta-feira, dezembro 20, 2006

Na sombra da solidão

sábado, dezembro 16, 2006

O Início

Meu filho. Não te abandonei. Acompanho-te todos os dias. Não o sentes no teu coração? Cada ser toma as suas decisões e cada qual tem que saber viver com isso. Não te posso proteger. Já te dei vida. Já te dei água, terra e sol. Já te dei amor. Dei-te tudo. Tudo o que é preciso para ser feliz. E não te abandonei, meu filho. Tu mudaste o mundo. Tu deste uma nova esperança. A possibilidade de um novo começo. Tu deste esperança aos outros e a mim. Como te podia abandonar?

quinta-feira, dezembro 07, 2006

Meu Deus, meu Deus, porque me abandonaste?

Coragem silenciosa

Que fascínio por ti.
Que coragem silenciosa escondes dentro dos teus braços dobrados.
Houve tempos em que pensava que toda a coragem era gritante.
Cristo. Lancelot. Persival. Ghandi.
Hoje sei. Importa apenas a luta travada.
Que fascínio por ti.

terça-feira, dezembro 05, 2006

Procura a ponte

Caminho certo

Escuro. Vejo escuro. Os pés: descalços. Caminho em direcção ao cheiro do mar. Intensifica-se a cada passo. O coração acelera. O rosto sorri. Vejo luz. Clara. Caída sobre a terra semi-escura. Vejo a torre de pedra que dorme sobre um manto verde. Vejo serpentes de madeira enleadas nas árvores. Vejo frutos castanhos dentro de bolas de espinhos. São os sinais de que me falaram. Estou no caminho certo.

segunda-feira, dezembro 04, 2006

Na torre do desejo

No fundo da garrafa

O sonho nasceu no infinito do pensamento.
Entre a penumbra que faz um copo e duas garrafas escorrega sem gravidade, apenas num sopro imerso do que ficou preso entre os ramos, por distracção.
É nas coisas pequenas e simples que vive a maior solenidade. Como o dormir. Como o mar. Como o gostar. Como o não gostar.

Os sentidos são os suspensórios da vida.

domingo, dezembro 03, 2006

O infinito

É feio mentir

Por ti passei. Estavas no meio das pessoas. Todas elas para mim desconhecidas. Menos tu. O medo de te falar tomou posse de mim. Fingi não te ver. Não te vi. Poderia dar-te como resposta se me perguntasses porque não te falei. Não te vi. Pratico várias vezes: não te vi. Mentir não é fácil. Tenho pavor que o meu nariz possa crescer.

sábado, dezembro 02, 2006

Trânsito

Anúncio

Oferece-se gaivota.
Bom estado de conservação, não precisa de atenção, apenas de um telhado.
Comunicativa e fiel. Gosta de peixe, antenas parabólicas. Faz pintura abstrata nos terraços.
Entrega imediata.