quinta-feira, fevereiro 22, 2007
Quem sou...
Três v´s. Simbologia ou nada? Talvez nada. Talvez qualquer coisa. Nessa igreja que me mostras, sentei os meus joelhos. Fechei os olhos. Rezei. Sorri.
A minha felicidade tornou-se luz, as memórias tornaram-se belas. Esqueci galinhas e pedintes. Esqueci tudo.
Comecei uma nova vida.
Não sou Paio. Não sou Paco. Não sou nada. Apenas o vento da memória que te entope as orelhas. Engasgado por ti, ó lembrança.
A minha felicidade tornou-se luz, as memórias tornaram-se belas. Esqueci galinhas e pedintes. Esqueci tudo.
Comecei uma nova vida.
Não sou Paio. Não sou Paco. Não sou nada. Apenas o vento da memória que te entope as orelhas. Engasgado por ti, ó lembrança.
Um herói antes de ser homem
Na Travessa da Saudade moram sete cavaleiros. O mais novo é Paio. Como se entenderam, como iniciaram a caminhada da iniciação, deixo a cargo da vossa imaginação.
Hoje contar-vos-ei somente a história de Paio, tão importante que gravada em azulejo, tão banal que esquecida.
Nascera em dias de outono, fruto de um encontro casual entre um qualquer homem e uma qualquer mulher. Criado, desde cedo, junto às pedras da calçada, das galinhas e pedintes, jurara ser importante. Ser rico. E muito amado.
Talvez se esquecera (não o sabia!) que o amor não se conquista por aquela ordem, mas, sem qualquer outro propósito, iniciara as façanhas da sua existência com um salvamento.
Corajoso ou sem consciência, Paio cresceu. Fez-se forte, moreno e triste. Salvava ocasionalmente gatos, lavadeiras, casas de incêndios, gado das cheias.
Fez-se herói, antes de ser homem.
Num dia de mais um salvamento feliz, encostou-se a uma porta e ouviu os risos. Sentiu a presença da felicidade numa família, quem sabe, num grupo de amigos.
Com os olhos presos no chão, jurara, solenemente, buscar o último som das coisas, até alcançar aquilo. Uma travessa, uma casa. E ao fundo, um riso retribuído. Para si, Paio.
Hoje contar-vos-ei somente a história de Paio, tão importante que gravada em azulejo, tão banal que esquecida.
Nascera em dias de outono, fruto de um encontro casual entre um qualquer homem e uma qualquer mulher. Criado, desde cedo, junto às pedras da calçada, das galinhas e pedintes, jurara ser importante. Ser rico. E muito amado.
Talvez se esquecera (não o sabia!) que o amor não se conquista por aquela ordem, mas, sem qualquer outro propósito, iniciara as façanhas da sua existência com um salvamento.
Corajoso ou sem consciência, Paio cresceu. Fez-se forte, moreno e triste. Salvava ocasionalmente gatos, lavadeiras, casas de incêndios, gado das cheias.
Fez-se herói, antes de ser homem.
Num dia de mais um salvamento feliz, encostou-se a uma porta e ouviu os risos. Sentiu a presença da felicidade numa família, quem sabe, num grupo de amigos.
Com os olhos presos no chão, jurara, solenemente, buscar o último som das coisas, até alcançar aquilo. Uma travessa, uma casa. E ao fundo, um riso retribuído. Para si, Paio.
terça-feira, fevereiro 13, 2007
Ela espera
Madrugada. Acordo em sobressalto. Sonhei contigo. Quer dizer, vi uma sombra. Era o teu perfume. Só podias ser tu. Não eras tu? Diz-me que sim. Preciso de acreditar que sim. Eras tu. Adormeci.
Nesta manhã, os gestos da tua mão são lascas do passado. São poeira. Poeira do Diabo. E ao longe avista-se a morte. Ela espera por nós.
domingo, fevereiro 11, 2007
Aquela casa
Sonho com aquela casa.
Entre as portas que se abrem e nunca se fecham estão quartos que foram cozinhas e salas com telhas de vidro. Os tectos ondulam e o chão é imprevisível nos seus motivos. Dentro dos guarda-fatos existem rastos de gente e rastos de ratos.
Naquela casa vive um anoitecer. Sinto uma aragem por entre os dedos. A vida que foi está lá entre o pó e o silêncio. A casa chama-me.
«Ouve, dentro de mim estão dias completos e a eternidade de pedras ruivas».
Entre as portas que se abrem e nunca se fecham estão quartos que foram cozinhas e salas com telhas de vidro. Os tectos ondulam e o chão é imprevisível nos seus motivos. Dentro dos guarda-fatos existem rastos de gente e rastos de ratos.
Naquela casa vive um anoitecer. Sinto uma aragem por entre os dedos. A vida que foi está lá entre o pó e o silêncio. A casa chama-me.
«Ouve, dentro de mim estão dias completos e a eternidade de pedras ruivas».




