quinta-feira, março 22, 2007

Nas brumas de Dali


Vejo quem amo

No reflexo da água vejo o futuro.

Vejo todas as refeições que comerei. Todas as más frases. Todas as portas a que tocarei e ficarei à espera, ao frio e ao sol.

Vejo a criança que fui há tão pouco. As brincadeiras que nada mais eram do que um ensaio para as brincadeiras de hoje.

Vejo o infinito, que se estica sempre mais além. Nesse infinito mora sempre uma fada. Dela sei apenas que vive tão longe. Para vê-la seria preciso dar sempre dois passos sob as águas, e mais dois em múltiplos perpétuos.

No reflexo da água vejo quem amo.

quarta-feira, março 14, 2007

De duas em duas pedras


Sem ti

As tuas palavras baleam a tua fotografia.
Trespassam-na na perfeição.
Sobram os olhos. Os de qualquer um.
Só vejo essas tuas palavras. Ofuscam a mente. Só penso.
E se a pior morte é a do coração, então que morra já aqui.
Sem ti não há nada.

A perfeição afinal existe


Entontecer

Medo de cair. De desistir. De perder a coragem, de enganar, de deixar de ter coração.

Houve um dia em que fizera uma jura: jamais perder o coração.

Mas hoje...

Tem medo de cair. De desistir. Peder a coragem: enganar. Fugir e deixar cair o coração com toda a pressa.

Térá de fingir. Terá de sorrir. E enviar os nervos...no entontecer.